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26.10.11

Podia ter sido um desastre, mas: PESADO DEMAIS PARA A VENTANIA



Minha apresentação em Madri, no último sábado, dentro da programação do festival 2011 poetas por km2, foi precedida pela do poeta e performer português Fernando Aguiar. Conhecemo-nos em Diamantina, há 5 anos, quando participamos do Festival de Inverno da UFMG. Não nos tornamos amigos ao longo desses anos, mas fiquei contente ao revê-lo em Madri. Conversamos brevemente sobre issos e aquilos – aí incluída a ordem das nossas apresentações no palco: cada um pensava que seria o primeiro a performar.

Em geral, tal questão só me ocupa a cabeça por exigir diferentes tipos de resposta a problemas de ordem técnica, uma vez que, em termos estéticos, e mesmo quanto às solicitações do ego, pouco se me dá saber quem vem antes ou depois de mim. Apesar de, assumidamente, preferir as situações em que performarei num espaço em que não haverá nenhuma outra apresentação – nem antes nem depois, para evitar a nefasta correria –, vi como um saudável desafio a necessidade de montar e desmontar tudo em escassos minutos (10 em média, para cada etapa), eu que costumo gastar, só na montagem, cerca de três horas.

Eu estava tranquilo também porque já havia tido alguns contatos – por escrito e pessoalmente, assim que cheguei a Madri -, com o coordenador técnico do festival, o gente-boa-toda-vida Jorge Alvarez, que baila comigo (vide o vídeo, alguns posts abaixo) numa improvisação vocal que fiz com base no meu poema “Linhas”. Daí o sentimento de paz a que aludi num dos posts que disparei no sábado à tarde, algumas horas antes de subir ao palco: além de ter feito uma magnífica sessão de pruebas de sonidos + vídeo + luz, alterei significamente o roteiro no quarto do hotel, devido à impossibilidade de renderizar a tempo os novos vídeos em que vim trabalhando nas semanas que precederam a viagem, os quais apresentavam as versões em espanhol de poemas meus vertidos por Adolfo Montejo Navas, Cristian de Napoli, Fernando Pérez e Teresa Arijón.

Decidi usar os dois projetores para mostrar vídeos que criei para utilização em outras performances, concentrei-me na tarefa mais delicada do dia: interferir no lindo livro que Mariana Botelho criou especialmente para a estreia da performance Pesado demais para a ventania, grafando com caneta preta, ao lado dos poemas em português, suas versões na língua/lengua de Lorca.

Detesto admitir que fui capaz de erro tão primário, mas por já ter visto Fernando Aguiar em cena eu deveria ter perguntado a ele – que de fato me precederia no palco – se constaria de seu roteiro a série de “sonetos-ações” que o vi executar em Diamantina. Foi, assim, com total surpresa, já no limite com a estupefação, que vi o performer português quebrar copos de cristal e pratos de louça no mesmo palco em que, daí a poucos minutos, eu teria que performar.

Do roteiro que concebi inicialmente fazia parte uma longa e lenta sequencia de movimentos com o poemanto. No chão. Cair, rolar de um lado a outro, passar em passos diminutos à frente do projetor, tornar a cair e a rolar pelo chão, girar sobre meu próprio eixo e de novo cair e rolar e me levantar e voltar a cair o quanto me desse na veneta.

Marcelo Sahea, a meu lado, ficou logo tenso com o que víamos, antevendo o desastre que se desenhava, o que me permitiu lançar mão de uma calma tão intensa que pensei, naquele momento único, no sentido profundo da palavra paz que eu afirmara sentir horas atrás. Esperei que limpassem o chão do palco, enquanto reorganizava mentalmente o passo a passo da performance e entre em cena disposto a atuar como se nada, nenhum problema existisse naquele momento.

Consegui, creio, evitar mal maior, mas levei um bom tempo até entender que Sahea tinha razão ao me cumprimentar efusivamente, no final, certo de que eu fizera uma boa performance ("emocionante, foi o que ele disse). Concordo com ele porque finalmente entendi o que fiz: tive que juntar ao “saber fazer” o “saber ser” – demanda dupla que, no dizer de um dos pais fundadores das poéticas da voz, o suíço Paul Zumthor (1915-1995), define o aqui agora irrepetível da performance. Em Madri, na noite de 22 de outubro, diante de dezenas de pessoas para as quais o português-brasileiro soa como iorubá arcaiaco, me vi obrigado a, em pouquíssimo tempo, para citar uma bela cantiga antiga de Gilberto Gil, “aprender a só ser”.

24.8.11

Minha agenda até outubro

: Leitura de poemas e entrevista, junto com Mariana Botelho, no projeto Sarau da Casa, (27/8, sábado, 19h, Casa das Rosas, SP)

: Participação, como diretor artístico e sound designer, no recital O silêncio tange o sino, de Mariana Botelho (30/8, terça-feira, Jardins Internos do Palácio das Artes, BH, dentro da programação do projeto Terças Poéticas)

: Performance Música para modelos vivos movidos a moedas no projeto Quarta Mix (21/9, quarta-feira, 18h30, SESC Palladium)

: Participação, como diretor artístico e sound designer, no recital (Prova de corte) da poeta Thais Guimarães (27/9, terça-feira, 18h30, Jardins Internos do Palácio das Artes, BH, dentro da programação do projeto Terças Poéticas)

: Performance Música para modelos vivos movidos a moedas no projeto Europalia (11/10, terça-feira, horário a confirmar, Bruxelas/Bélgica)

: Performance Pesado demais para a ventania, no projeto Poetas por 200 km2 Festival (22/10, sábado, 21h30, Madri/Espanha)

[A foto acima, de Alexandro Trindade, mostra um dos momentos iniciais da performance A ferro e fogo, que fiz em Curitiba, em maio deste ano, junto com Jorge dos Anjos, “general da banda” e meu grande irmão desde sempre]

4.11.09

AGITO CULTURAL


A convite do meu amigo e parceiro Chico de Paula, vou fazer com ele, na próxima sexta-feira, dia 6, a performance – inédita – Dois espelhos no escuro. O lance faz parte do Agito Cultural, promoção conjunta das produtoras Emvideo e Arquipélago e do Rec Studio que contará, ainda, com o Jack single pocket show de Aggeo Simões, a exibição do documentário Marés de águas-mortas, de Marcus Nascimento, a videoinstalação Imagens de ofícios, de Evandro Rogers e Chico de Paula e, por fim, mas não por ultimo, o lançamento do jornal Embrulho, editado por Chico de Paula e Marcus Nascimento. Além disso, estarão à venda livros – meus, inclusive –, CDs, DVDs e muita coisa mais.


1.11.09

Uma alegria

Uma beleza o vídeo que a produção do Fórum das Letras de Ouro Preto fez com o grande poeta-designer Guilherme Mansur. De todos nós que nos deixamos nortear pelo projeto concreto, Mansur é certamente um dos que foi mais longe na atualização da ideia – pignatariana – do poeta como “designer da linguagem”. Amei o vídeo porque ele mostra uma alegria que há muito se tornou matéria escassa quando o assunto é a poesia brasileira dita contemporânea. E porque está lá o corpo do poeta: na mesa da qual participei no dia 30 (na foto, de Eduardo Trópia, com a editora francesa Anne-Marie Metaillié) ainda sem ter visto o vídeo, afirmei, numa resposta sobre o trânsito entre a palavra impressa e a performance, que minha meta é, sempre, explorar como linguagem aquilo que no corpo se dá a ler e ao que no livro é corpo, pura materialidade. Algo assim, não me lembro bem. Importa é dizer que o show de bola dado por Guilherme em torno de sua bela mesa-mandala negra – transformando o “corpo da doença” em corpo da poesia – é a performance poética mais simples, intensa e desconcertante que assisti nos últimos tempos.



20.8.09

Quem quiser ler que leia o leitor

1.

O performador,

no meu projeto pessoal

de criação,

é um tipo de leitor que

se dá a ler,

ao assumir e expandir

a condição performativa

da leitura.

2.

Como uma espécie

de TJ (text-jockey,

para jogar

com terminologia

cara à cultura

contemporânea),

valho-me em cena

de uma multiplicidade

de fontes textuais,

as quais aciono

a partir de três linhas

básicas – que podem,

inclusive, ser conjugadas

entre elas:

1) oralização a partir

de demarcações

previamente indicadas

nos "textos-partituras";

2) improvisações

vocais (com ou sem palavras),

ao longo da performance,

em resposta a estímulos

provocados pelos

demais elementos

dispostos no ambiente

(vídeo, ruidagem,

layout do palco,

maior ou menor

participação

da plateia etc.);

3) improvisações

vocais/corporais

sobre fragmentos

escolhidos aleatoriamente

em livros espalhados

pelo palco,

vozes pré-gravadas

(a minha própria

e/ou a de

outros poetas,

ou, ainda,

a de anônimos,

sampleadas do rádio,

da TV ou da web)

e field recordings

que reprocesso e

disparo em um laptop

(direto no aparelho

ou por meio de um

controlador MIDI).

3.

Já não há razão para falar

em work in progress,

com relação ao que eu faço.

Não há progresso,

nunca houve.

Eu nem bem comecei. 

 

17.6.09

JAMSEN LAW

“Dou aulas para dois tipos diferentes de alunos, embora seja possível chamá-los, todos, de estudantes de arte. Uma parte deles é formada por estudantes de belas-artes, e a outra, por estudantes de arte eletrônica. Eles apresentam padrões muito diferentes de qualidade, baseados nos valores muito diferentes que têm a respeito de arte e tecnologia. Não é fácil deixá-los todos confortáveis para experimentar com os elementos que quero que provem. A experiência é algo muito importante, seja voltada apenas para olhos e ouvidos, seja algo que inclua todos os sentidos. Esse é o meio para conectar os elementos artísticos com o que já temos dentro de nós. Quando nos sentimos tocados (emocionalmente) ou sintonizados (conceitualmente), nos conectamos com o trabalho. Todos sabemos que qualquer coisa pode ser transformada em obra de arte ou que qualquer método pode gerar um processo artístico. Desejo que meus alunos tenham a capacidade de recriar o tipo de processo/experiência que querem oferecer a seu público. Então eles têm que entender o que estão fazendo. Assim como eu faço o público experimentar meu vislumbre de pensamentos.” [Jamsen Law, de Hong Kong, performer e videoartista, em entrevista publicada no FF>>DOSSIER, da Associação Cultural Videobrasil]

28.2.09

Poesia &


























Já falei de Caroline Bergvall aqui, ou melhor, aqui. Agora indico seu bem cuidado site, onde você pode encontrar trabalhos em diversos suportes. Coisas de fechar o comércio e o resto, como diria meu saudoso amigo Zé Maria Cançado. Mas atenção: se você é desses (ou dessas) que não resistem a vozes envolventes, melhor não ouvir isto. 


5.2.09

LIRA 2009


















O poema acima, do livro/DVD Modelos vivos - produzido com recursos do programa Petrobras Cultural -, que está quase no ponto para ganhar as ruas em agosto próximo, diz muito sobre a relação que venho mantenho com a arte verbal nos últimos 16 anos, desde que comecei a estudar a fundo a questão da palavra em performance.

Criado em 2006, como mote e título da performance que montei quando participei do projeto “Noite do Griot”, promovido pela Casa África, e logo depois retrabalhado como poema visual, Boca também toca tambor tornou-se, ainda, com o tempo, uma espécie de “vocograma” pessoal, ao qual atribuo funções as mais diversas: sua entoação serve tanto para o meu treino vocal diário e para os testes com o microfone em ensaios e passagens de som, quanto para me ajudar a recuperar o equilíbrio emocional em meio a alguma turbulência. Sem deixar, é claro, de ser uma saudação ao dono da fala.

Como sabem as pessoas que acompanham o que faço, sempre dou mais de um uso às minhas “inventações”, como dizem os baianos: Boca também toca tambor passa, assim, a intitular o workshop que oferecerei no LIRA, no dia 14/3, sábado, das 9h às 13h, em torno da exploração das dimensões percussiva e timbrística do signo verbal, para fins de criação do que chamo de “textos-tambores” (dos cantopoemas rituais africanos e da diáspora negra – e o peso de sua influência sobre o projeto sonoro de dadaístas e cubofuturistas – aos "africanismos" de Raul Bopp, Jorge de Lima e Ascenso Ferreira; das proezas vocais de Clementina de Jesus e Amiri Baraka ao batuque camerístico de Bob McFerry e Naná Vasconcelos; do rap ao vissungo e ao neo-oriki).

Da metodologia fazem parte os seguintes recursos: audição comentada de gravações raras em áudio e vídeo – momento em que farei breves explanações sobre questões téoricas relacionadas às tecnologias da voz – e exercícios vocais/corporais individuais e coletivos. Como bonus track, mostrarei algumas peças inéditas que farão parte do DVD do Modelos vivos, além de realizações de outras fases da minha trajetória como poeta-performador.

Importante: devido às dimensões do espaço, apenas 10 vagas serão disponibilizadas. Público-alvo: poetas, cantores/as, profissionais/estudantes de artes cênicas, arte-educação, letras e demais interessados na questão da voz e do corpo como elementos estruturantes nas poéticas de extração africana. Valor do investimento: R$ 100,00. Até o dia 25/02, os interessados deverão enviar carta de intenções (máximo de 10 linhas) e breve currículo para a produtora Jaqueline Melo (lira.jaquelinemelo@gmail.com), que poderá, também, fornecer maiores informações sobre a atividade. 

Muito importante: na próxima semana começaremos a divulgar as primeiras oficinas do LIRA em 2009 (entre os professores, o poeta e artista visual Eduardo Jorge e o prosador e poeta Sérgio Fantini). Continuem na escuta!

29.11.08

Notícias de Maceió


Aos poucos, os compromissos que me ocuparam ao longo do ano vão se tornando lembranças boas, experiências únicas, riquezas para sempre. É o que de mais consistente consigo dizer, por ora, do que aconteceu aqui em Maceió, anteontem, ondequando apresentei, no Teatro Jofre Soares, a palestra-performance Desvios para a dispersão: Orfeu, John Cage, Exu. Vou precisar de algum tempo para processar tudo o que eu e meus convidados Marcelo Marques, Gláucia Machado, Tazio Zambi e Susana Souto, integrantes do grupo TEXTA, mais o bailarino Jorge Shultze, fizemos, digo, vivemos, como se apenas déssemos prosseguimento a práticas exaustivamente planejadas ou ensaiadas.

Gláucia circulou – cageanamente – pela platéia com um rádio ligado, sem se fixar numa estação específica, para incômodo de alguns que ainda cultivavam a ilusão de ouvir com clareza o texto da palestra, que li em diferentes andamentos, timbres, intensidades e volumes. Minha leitura se fazia entremeada a breves ações que desenvolvi com o poemanto e a improvisações no laptop e no piano preparado – sempre sob as lentes da máquina de Susana Souto, que fotografava do palco e, com sua pre/sença, ajudava a produzir a dispersão enunciada no título. Simultaneamente, Tazio, com um projetor no colo, lançava com (im)precisão suprematista as imagens de meu vídeo-em-progresso “No que pensam os pés quando longe da bola”: nas paredes laterais ou no teto, no cubo que demarcava o “grau zero” da performação de Jorge (este, um experimentado bailarino, capaz de proezas corpográficas que jamais se esgotam nelas mesmas) ou sobre a projeção, no fundo negro do palco, de um outro vídeo criado por mim.

Deixei para dizer por último, propositalmente, alguma palavra sobre Marcelo Marques, músico, poeta e autor de dissertação de mestrado – defendida na semana passada – sobre a tipografia na obra de Augusto de Campos. A energia criativa desse rapaz de 27 anos é algo raro de se ouver. O mesmo se diga da serenidade, do preciosismo e da altivez com que se entrega ao que faz. Tocando pequenos instrumentos de sopro, respondendo à minha gritaria “filodadaísta” ou improvisando no piano preparado – junto comigo ou sozinho –, tudo o que vinha dele era música em estado de poesia.

Na oficina que ministrei aqui, em dezembro do ano passado, eu já havia reparado em sua disponibilidade – corporal, inclusive – para o improviso, essa arte à parte tão complexa, mas agora, convivendo com ele no palco e nas sessões de gravação do CD do grupo TEXTA, constato que a conversa é bem mais séria: ou muito me engano ou, em breve, Maceió será pequena para tanto talento.

Hoje à noite Marcelo se apresentará no mesmo teatro com sua banda, a elogiada Gato Zarolho, e eu vou lá conferir. Tomara seus conterrâneos entendam que aqui, sob o azul-céu e mar desta cidade que viu nascer, há 111 anos, o poeta Edgard Braga, alguém se prepara para assumir, contra todos os obstáculos – dos quais a surdez do mercado é apenas a mais óbvia –, a grandeza de seu destino.


20.10.08

Amigos


Na foto acima, feita por Eliana Borges, meus amigos bons Marcelo Sahea e Ricardo Corona, depois de nossa apresentação na Casa das Rosas, sexta passada, dentro da programação do I SIMPOESIA. Aqui e aqui, dois belos presentes de outros amigos queridos, Ricardo Domeneck (um ensaio multimídia) e Paulo Kauim (um número da minha performance). Um trecho do ensaio de Domeneck: "(...) acredito que o fluir poético de seu trabalho une perspectivas diversas, que acabam muitas vezes separadas no discurso crítico monológico, e ele está entre os poetas que se formaram na década de 80/90 e iniciaram um processo de renovação do conceito de Joyce/Noigandres do verbivocovisual, renovação que se manifesta em uma multiplicidade de ênfases, fazendo de seus poemas (escritos, sonoros, corporais) "quinas", ângulos dos quais se pode observar o território poético das linguagens do poeta contemporâneo, daquele que gosto de chamar de multimedieval. O próprio poeta mineiro chama seu trabalho de 'reverbvocovisual'."

20.9.08

DIA CAGE


Era para ter rolado a "celebração da memória e da imaginação" de John Cage (na foto, à esquerda, com os tímpanos testados por David Tudor, durante turnê pelo Japão) no dia 5, quando ele teria completado 96 anos de idade, mas outro silêncio, bem mais estridente, se impôs, como já sabem tod@s @s que visitam com alguma freqüência esta posse, e a festa teve que ser adiada. O DIA CAGE será, destarte, na próxima sexta-feira, dia 26. O horário continua igual: 19h. Idem, o local: auditório da Escola Guignard (rua Ascânio Burlamaque, 540, Mangabeiras). Já confirmaram presença os seguintes artistas: Marcelo Kraiser, Benedikt Wiertz + João Paulo Prazeres, Christina Fornatiari, Coletivo Não macule a minha faca, Sérgio Fantini, Bruno Brum, Eduardo Jorge, Chico de Paula + Tatu Guerra e o ciberposseiro aqui. Entrada risonha e franca. Quem quiser entrar no clima, basta clicar aqui e catar a versão em pdf do livro Notations, de JC.

15.9.08

Ben Patterson




No importantÍSSIMO livro Greenwich Village 1963 - Avant-garde, performance e o corpo evanescente (Artemídia/Rocco, 1999, trad. Mauro Gama), de Sally Barnes, há uns poucos parágrafos dedicados a um dos temas mais neglicenciados (pelos historiadores, pelos críticos e mesmo pelos artistas) da arte do século XX: a participação dos criadores negros na cena contracultural do período. Barnes cita o poeta e pesquisador Dick Higgins, que escreveu, a propósito de Ben Patterson (aqui também tem) integrante do grupo Fluxus: "Patterson se casou e foi [da Alemanha] para a França, como fora antes dos Estados Unidos, onde não queria ser um 'artista negro', mas só um artista bom como o diabo e, entre outras coisas, um negro. Apenas James Baldwin e Benjamin Patterson alcançaram essa proporção. Na verdade, o modo de Patterson usar repetições periódicas e o fato de ser tão inerente e natural a sensação de melancolia que isso provocava impressionaram-me tanto que, quando ele pela primeira vez me mandou uma cópia dos métodos e processos, eu lhe escrevi e imaginei que era um negro."