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28.11.11

FESTA


Lançado em setembro do ano passado, meu livro MODELOS VIVOS, publicado pela Editora Crisálida (de Belo Horizonte), ficou entre os 10 finalistas de dois dos mais importantes prêmios literários do País, o Jabuti e o Portugal Telecom.

Para comemorar o duplo feito, eu volto a apresentar, no próximo dia 3/12, sábado, às 21h, na Casa África, a performance MÚSICA PARA MODELOS VIVOS MOVIDOS A MOEDAS (poesia + música + ruidagem + vídeo + corpografia +).

Junto com poemas de MODELOS VIVOS musicados por mim, vou mostrar também algumas das canções que fiz em parceria com nomes como Chico Lobo, Mauricio Tizumba e o senegalês Zal Idrissa Sissoko, que fará uma participação especial tocando kora.

Serei acompanhado, nas canções, pelo violonista, guitarrista e arranjador Alvimar Liberato, meu parceiro desde a década de 1980. Na parte solo da performance, em que trabalho as peças mais abertamente experimentais, vou produzir a ruidagem por meio do uso de pedais que me permitem ampliar as possibilidades musicais da voz falada, cantofalada, gritada e sussurrada.

Em tempo: MODELOS VIVOS poderá ser adquirido pelo preço promocional de R$ 25,00. Será cobrado um couvert artístico de R$ 7,00. A Casa África fica na rua Tulipa, 215, bairro Esplanada. Reservas de mesas e maiores informações pelo telefone 36534244.

28.10.11

OBRACABADA

Numa encruzilhada de Madri, Ricardo Aleixo & Marcelo Sahea, integrantes do recém-criado grupo OBRACABADA – aqui, num frame de uma das muitos videoperformances que realizaram por lá. Do cardápio das aprontações intersígnicas do grupo, que será lançado oficialmente no dia 7 de dezembro, via web, fazem parte os seguintes tópicos: poesia falada cantada gritada sussurada cantofalada + arte sonora + arte vestual + cinema de poesia + música extrema + radiovideoarte + performance + artemídia + macumba para dadafrofuturistas + intervenção urbana + design gráfico + agricultura celeste + desobediência + resistência ativa +

3.10.11

Em resenha inédita, Ângelo Oswaldo fala sobre "Modelos vivos"

A poesia de Ricardo Aleixo

Ângelo Oswaldo*

Em “Modelos Vivos”, Ricardo Aleixo reúne um conjunto significativo de poemas, depois de largo momento voltado para outras formas de expressão poética, tais como performances, vídeos e canções. É um belo livro. Oferece destacada programação visual dirigida pelo autor, sendo enriquecido pela diversidade da produção que enfeixa.

Com a publicação, o poeta registra os seus cinquent’anos, não em celebração jubilar, mas para reiterar o compromisso do primeiro olhar, o desejo de querer ver, por sobre a visão deficiente, algo que valha a pena, para além da falta de perspectivas que percebe como tônica do nosso tempo.

Ricardo Aleixo vem de 1960 e é poeta que sintetiza, de modo original e referente, as inquietações, as rupturas e as angústias que convulsionaram o mundo neste meio século de transformações. Sua obra atinge pontos sempre mais altos. Se a visão está afetada, como a de Camões & Bob Creeley & Joan Brossa, ele enxerga aquilo que só o poeta vê e a poesia alcança, por cima do glaucomatoso de Glauco & Borges, numa respiração. São poderosas as suas antenas, e é com elas que se faz o poeta, segundo Ezra Pound. Como o anjo de um poema do livro, o poeta aprende a se ver pelo avesso.

As palavras “são peles de silêncios habitáveis”. Ricardo Aleixo as veste, no seu “poemanto”, qual um parangolé de Hélio Oiticica (obra para vestir) ou como passos de Merce Cunningham (obra para dançar) ou o rito dos Eguns (obra para reviver). A palavra é viva e é vivida pelo poeta, que a escreve-inscreve com seu corpo e com ela o cobre, volatiza o andar, sonoriza o espaço, toca o tempo. O “poemanto” é imantação da poesia no corpo do poeta.

Nessa corpografia, ao pé da letra de Artur Bispo do Rosário, “andando em círculos” (porque “estamos mesmo é andando em círculos”), o poeta usa o seu manto como o toureiro a capa, em passos encadeados como numa fuga, ou o agita num batuque, revira-o em volteio de volutas em altares barrocos, ginga-o na reviravolta da capoeira ou mergulha na constelação de Mallarmé, soltando as palavras no espaço para reinventar o poema ao acaso de cada lance de corpo.

Inovadora e inventiva, instigante e incisiva, a poesia de Ricardo Aleixo apresenta uma linguagem própria, que não se restringe ou se reduz. É sempre múltipla e entregue a pesquisas sobre novas possibilidades. No final do poema que dá o título do livro, está a questão: “...Pergunto-me, como se perguntava Heinrich/ Kleist sobre os manipuladores de marionetes que tanto// encantavam o amigo a quem devia o despertar do interesse/ pelos mistérios daquela arte de rua, se os passantes-// pagantes conhecem os mecanismos que movem os modelos/ vivos; se possuem pelo menos uma ideia do belo na dança”. Têm, da mesma forma, os leitores que passam pelas livrarias alguma ideia do valor da obra de Ricardo Aleixo? É preciso urgência no conhecimento de um modelo vivo do poeta do nosso tempo.

* Crítico de arte, escritor e prefeito de Ouro Preto

19.9.11

Música para modelos vivos movidos a moedas

A performance Música para modelos vivos movidos a moedas, na versão que só será mostrada nesta quarta-feira, 21 de setembro, se metamorfoseará em: 1) celebração do meu aniversário (51 anos + uma semana) e da classificação do Modelos vivos para a fase final do Prêmio Portugal Telecom; 2) banca de poeta-camelô, para venda do livro acima citado ao preço promocional de R$ 25,00; 3) show de calouros, que premiará com um exemplar do Modelos vivos cada uma das três melhores leituras em voz alta de um poema do livro. PS: Nesta quinta-feira, enquanto descanso da performance, volto a cuidar do assunto de que trato no post abaixo.

7.7.11

CORPO : SOM : PALAVRA : IMAGEM

Gosto demais quando tenho oportunidade de compartilhar meus processos composicionais no campo da performance intermídia. Melhor ainda quando posso fazer isso por um tempo mais largo, como ocorrerá, nos próximos dias 15, 16 e 17 de julho, em Ouro Preto. A oficina CORPO : SOM : PALAVRA : IMAGEM, que ofereço desde 2007, integra a agenda do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, cuja programação completa pode ser conferida aqui. Na foto acima (Foca Lisboa, 2006), eu performo em Diamantina.

31.5.11

Vida nova

Parte considerável do meu tempo, de 2006 para cá, foi dedicada ao trabalho na Fumec, de onde estou de saída. Primeiro atuei como professor da disciplina Design Sonoro e, nos últimos 9 meses, coordenei o Grupo de Pesquisas Sonoras – ambas as instâncias ligadas ao curso de Design Gráfico, coordenado por Guilherme Guazzi, a quem, mais uma vez, agradeço pela oportunidade que me deu de participar de um contexto – a chamada vida acadêmica – com o qual eu nunca quis ter mais que relações pontuais de diálogo e colaboração.

Aprendi muito por lá, sobretudo com os estudantes que me escolheram para orientar seus projetos de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Também foi bom estar perto de professores como Flávio Vignoli e Juliana Pontes, dos quais me tornei amigo – com Vignoli, edito a Coleção Elixir, de poesia & tipografia – e dos funcionários, que sempre me trataram com carinho e respeito. Saio porque foi identificado um grave erro na forma da minha contratação – eis a versão oficial da faculdade, que não tenho condições nem vontade de refutar.

Existe a hipótese de eu ser recontratado pela Fumec no final do ano, mas não vou me preocupar com isso por agora. Em paz, finalizo dois livros, que espero lançar em setembro, elaboro 5 performances diferentes, defino as faixas do meu sempre adiado disco de canções, crio um novo blog, vivo a expectativa de um novo momento para minhas pretensões artísticas fora do Brasil, preparo com Chico de Paula e novos parceiros as futuras investidas da ZIP, acompanho, todo prosa, o crescimento das minhas meninas, Iná e Flora, converso com quem quer saber de conversa e... conto os dias à espera da vinda, para Belo Horizonte, da moça bela para quem meu coração só sabe dizer sim.

PS: A foto acima, de Ilka Boaventura Leite, foi feita durante performance que improvisei, na ZIP, com o meu Emaranhado Samba.

27.1.11

Concentração

Tempos, por aqui, de muita concentração. Para poder estruturar minhas primeiras performances deste ano que promete bastante: dia 21 de março, em Curitiba, no Museu de Arte da UFPR, a inédita A ferro e fogo, na abertura da exposição homônima do artista plástico Jorge dos Anjos; dia 25 da mesma semana, no Parque Lage, Rio de Janeiro, Música para modelos vivos movidos a moedas, para abrir a mostra Poéticas expositivas (de que participo ao lado de Lenora de Barros, Adolfo Montejo Navas, Ana Linnemann, Eduardo Coimbra e Victor Arruda), que tem curadoria assinada por Sônia Salcedo de Castillo. Nas duas ocasiões aproveito para lançar o livro Modelos vivos.

18.9.10

IMPROVISUAIS: ACABOU, NÃO TEM MAIS

COMUNICADO

A convite da professora, poeta e ensaísta Vera Casa Nova, organizei a mostra de poemas gráficos IMPROVISUAIS, integrando-a ao ciclo de atividades que marcam a minha chegada à casa dos 50 anos, no último dia 14/09, conforme amplamente divulgado na imprensa mineira.

Hoje pela manhã, ao montar a mostra, fui surpreendido por dois atos de violência contra minha obra. No primeiro caso, uma estudante pisou, inadvertidamente, numa das peças, saindo do local – e é a esse gesto que dou o nome de violência – como se não tivesse quebrado o vidro de uma das molduras.

Cerca de 20 minutos mais tarde, depois de ter fotografado o estrago provocado pela distraída aluna acima mencionada, vi o momento exato em que um energúmeno travestido de estudante pisou propositalmente na obra, enquanto eu falava ao telefone.

Com uma câmera fotográfica/filmadora em punho, parti na direção do rapaz, que continuou a investir contra o meu trabalho, ignorando o alerta dos colegas que o acompanhavam.

Trêmulo de ódio e impotência, consegui registrar, em poucos segundos, o triste símbolo de uma universidade que, decididamente, já não parece ser um lugar seguro para a poesia/arte – razão pela qual decidi cancelar a mostra.


Ricardo Aleixo – poeta e artista visual

17.IX.10

17.9.10

IMPROVISUAIS & coisas mais

Hoje, a partir das 19h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da UFMG, será aberta a terceira e última das atividades programadas para marcar a passagem dos meus 50 anos em 5 décadas: a mostra de poemas gráficos Improvisuais. Aproveitarei para dizer alguns poemas do Modelos vivos, meu novo livro, que poderá ser adquirido ao preço promocional de R$ 29,00.

Na foto acima, detalhes dos trabalhos – ainda sem as respectivas molduras – da mostra, que surgiu, é bom que se diga, de uma iniciativa da professora, poeta e ensaísta Vera Casa Nova, uma amiga e parceira de longa data. Em tempo: Muito obrigado a tod@s que me enviaram mensagens (aqui, por email, celular ou no facebook), no dia 14, pela meu aniversário.

13.9.10

Amanhã tem mais

O lançamento do Modelos vivos ultrapassou as minhas melhores expectativas, levando até o Café com Letras uma enormidade de gente de astral MUITO alto, como o designer gráfico Flávio Vignoli, com quem tricotei um pouco sobre a Coleção Elixir, parceria nossa, que em breve reaparecerá com novos títulos.

Sobre o lançamento em si darei detalhes outra hora, porque ainda tenho muito o que fazer com relação à festa de amanhã, quando abro a mostra de poemas visuais extraídos do livro e apresento uma versão “aditivada” do Música para modelos vivos movidos a moedas, junto com o violonista Alvimar Liberato.

Além do repertório de peças sonoras já mostradas recentemente em São João Del Rei e em Itajaí, resolvi incluir no roteiro as canções que compus nos últimos meses – as líricas de algumas delas podem ser lidas no novo livro –, entremeadas a trabalhos de outras épocas: tem samba, baião, samba-canção, balada com acento jazzístico e o escambau. Em tempo: terei dois convidados especialíssimos na apresentação/festa de amanhã, meu 50º 14 de setembro.

26.8.10

Minha linha

Finalizado em meio ao trabalho de luto pelas mortes dos meus pais e pelo fim do meu casamento – desde janeiro deste ano vivo sozinho na casa que agora abriga o LIRA –, Modelos vivos resultou, graças aos deuses, como expressão daquela alegria a que só podem ter acesso os que descem ao fundo mais fundo do poço.

Por isso o colorido da capa, que dialoga com a lírica reproduzida abaixo (em breve vocês poderão conhecer também a música correspondente), escrita em 2008: “Minha linha” tornou-se para mim, na fase mais aguda da crise, uma espécie de mantra, ou melhor, de ponto cantado pessoal.

Para ser totalmente fiel aos fatos, devo confessar que a inspiração para a capa do Modelos vivos – vinda do emaranhado de linhas de diversas cores que pende de uma das paredes da minha casa-laboratório – é anterior à decisão de incluir no livro esta “letra de música”. Acho que funcionou.

PS: Que as pessoas que gostam de mim não se preocupem, por favor. O que tinha de ser, foi. Como tinha de ser. O que estiver para chegar, que chegue. Como tiver de ser. Quando for a hora.


Minha linha



Que o dono da fala

nunca

permita que eu saia

da linha

a linha que

quanto mais torta

mais posso dizer

que é a minha


Sempre fui

meu próprio mestre

e é sem tristeza

que conto

que ainda não aprendi

nada

não me considero

pronto


Em matéria

tão complexa

quanto a arte

de entortar

a linha

que nem a morte

há de um dia

endireitar

21.7.10

Mais uma: a primeira



Ainda sinto no corpo o impacto da pauleira que foi a montagem da “leitura-concerto” Música para modelos vivos movidos a moedas, no 23º Inverno Cultural de São João Del-Rei, domingo à noite. Mas estou muito alegre: é um trabalho totalmente calcado na exploração da relação espaço/tempo, em que a visualidade ganha destaque, tensionando e se deixando tensionar pelos demais elementos (voz gravada e voz ao vivo, ruidagem eletroacústica, corpografia e tal). Como tudo o que faço, óbvio. A diferença é, que agora, o improviso é relativizado, em favor de uma construção mais minuciosa da cena – que ainda demanda pequenos, médios e grandes ajustes, sei disso. Tão boa foi a estreia que já comecei a ensaiar para a próxima apresentação, que acontecerá no dia 9/8, em Itajaí, Santa Catarina, abrindo a programação do festival Folia das Falas. Detalhe: farei por lá o segundo lançamento do livro Modelos vivos - o primeiro acontecerá no dia 6/8, em Fortaleza, onde participarei do Seminário Arte, Invenção e Experiências Formativas, promovido pelo Centro Cultural Dragão do Mar.

PS: Comemorei a estreia, ontem à tarde, saindo para comprar meu ingresso para ouver (Palácio das Artes, dia 14/8), no Festival Internacional de Teatro/FIT, a montagem de Happy Days, de Samuel Beckett, assinada por Robert Wilson, à frente da Change Performing Arts. As fotos acima são de Paulo Filho, a quem agradeço pela permissão para reproduzi-las.