26.8.10

Minha linha

Finalizado em meio ao trabalho de luto pelas mortes dos meus pais e pelo fim do meu casamento – desde janeiro deste ano vivo sozinho na casa que agora abriga o LIRA –, Modelos vivos resultou, graças aos deuses, como expressão daquela alegria a que só podem ter acesso os que descem ao fundo mais fundo do poço.

Por isso o colorido da capa, que dialoga com a lírica reproduzida abaixo (em breve vocês poderão conhecer também a música correspondente), escrita em 2008: “Minha linha” tornou-se para mim, na fase mais aguda da crise, uma espécie de mantra, ou melhor, de ponto cantado pessoal.

Para ser totalmente fiel aos fatos, devo confessar que a inspiração para a capa do Modelos vivos – vinda do emaranhado de linhas de diversas cores que pende de uma das paredes da minha casa-laboratório – é anterior à decisão de incluir no livro esta “letra de música”. Acho que funcionou.

PS: Que as pessoas que gostam de mim não se preocupem, por favor. O que tinha de ser, foi. Como tinha de ser. O que estiver para chegar, que chegue. Como tiver de ser. Quando for a hora.


Minha linha



Que o dono da fala

nunca

permita que eu saia

da linha

a linha que

quanto mais torta

mais posso dizer

que é a minha


Sempre fui

meu próprio mestre

e é sem tristeza

que conto

que ainda não aprendi

nada

não me considero

pronto


Em matéria

tão complexa

quanto a arte

de entortar

a linha

que nem a morte

há de um dia

endireitar

8 comentários:

ronald augusto disse...

ricardo, meu mano.

rita brant disse...

Como é bom ver essa linha generosa.
Grata pelo sentido do emaranhado.
Com admiração e poesia, sempre,
Rita

Ricardo Aleixo disse...

Ronald, Rita, caríssimos: seguimos! Gracias!

Paulodaluzmoreira disse...

Excelente poema! Que aperitivo... Vou passar 24 horas em BH mês que vêm e faço questão de ir à Crisálida comprar o meu exemplar.

Paulodaluzmoreira disse...

Perdão pelo segundo comentário, mas posso "repostar" o poema no meu blogue, claro que com uma chamada para o seu e para o livro?

Ricardo Aleixo disse...

Fique à vontade, Paulo. Gracias!

Marcelo Kraiser disse...

Como vente...
Caro Ric Aleixo, adotarei este poema.

Ricardo Aleixo disse...

Esteja à vontade, Marcelo!