23.5.10

Deu no "Estado de Minas"


ONDAS SONORAS
Trilheiro profissional
Márcio Brant, que faturou prêmio no Cine-PE dá aulas de design de som na Fumec e garante que o mercado está de portas abertas para a área

Gracie Santos


Trilheiro não é só quem percorre trilhas de terra em sua moto possante. É também aquele cara que faz trilhas sonoras para filmes. Trilheiro (desse segundo time), professor e músico profissional, Márcio Brant (mais um integrante da criativa “família que cai em pencas, se você balançar a árvore”) tem currículo recheado para quem está apenas com 29 anos. Lançou disco em 2005 (Fábrica de sonhos); prepara o próximo (Silêncio) para o ano que vem; compôs para longa norte-americano (Flood Street, de Greg Samata); dá aula de design de som na Fumec; e acaba de coroar seu trabalho – realizado há quase 10 anos – com o primeiro prêmio: o de melhor trilha sonora para Revertere ad locum tuum, de Armando Mendez, no conceituado festival de cinema Cine PE.

Sócio de Felipe Santoni em NaTrilha, instalado em endereço histórico da cidade, onde, na década de 1970, funcionava o estúdio de Milton Nascimento, na Rua Timbiras (“Já disse pra ele que ocupo um lugar que traz boa energia boa, onde você respira música. Muita gente vem aqui e relembra coisas do passado”), Márcio Brant está feliz com a nova conquista, principalmente porque, como avisa: “Apesar de fazermos publicidade e outras coisas, nosso foco é cinema”. “O troféu que Armando Mendez recebeu em Recife vai ficar aqui no estúdio. Acho que é só o começo da trilha que o filme vai seguir. Acaba de ser selecionado para p 14º FAM2010 – Florianópolis Audiuovisual Mercosul Festival Fórum (de 11 a 18 de junho).”

“Fazer trilhas é um trabalho muito em conjunto com os diretores. É preciso pensar que você está criando música para uma imagem, essa é a primeira diferença do disco. É preciso ter antes as informações do diretor, saber do que ele gosta”, explica. No caso de Revertere ad locum tuum, conta que Armando Mendez lhe deu muita liberdade. “Ele aprovou de primeira, houve muita sinergia. Fazer música para cinema tem magia. São duas linguagens caminhando juntas”, afirma. Como professor, Márcio Brant não se cansa de avisar aos alunos que não basta fazer música, mas também deixar espaço para o silêncio (“importante, como comprovam obras de Stanley Kubrick” – Márcio é mestre pela Escola de Belas Artes da UFMG com trabalho sobre o cineasta), para a voz do personagem, os ruídos, os efeitos especiais.


Propaganda enganosa

Márcio Brant acha que ajudam bastante a confundir as pessoas os lançamentos de discos de filmes e novelas. “Neles, estão apenas as músicas, quase nunca a trilha feita para o cinema. Muitas vezes, há faixas que nem tocaram no filme”, afirma. E cita como exemplo Almost Alice, do mais recente filme de Tim Burton. Outra coisa que ele gosta de ensinar é que o diretor “quase sempre” tem razão quando mexe no trabalho do trilheiro. A trilha não pode atrapalhar, é preciso criar elementos que ajudem a contar a história. Há muitos casos de música feita para um personagem que funciona melhor se trocada de lugar”, admite, cintando John Williams, autor das trilhas de Spielberg, “que compõe série de músicas e deixa tudo a serviço do diretor. É trabalho a quatro mãos.”

Único longa para o qual Márcio Brant compôs, Flood Street aborda sobre a formação escola de boxe em New Orleans (EUA), depois do furacão Katrina, como forma de ressocialização. “O documentário esteve no circuito independente, em festivais, foi bastante exibido”, conta. O trabalho surgiu em 2006, quando um amigo pianista, Ademir Chaves, morava em Nova York. Ele conheceu o diretor e lhe contou sobre o estúdio em BH. “Fizemos muita coisa por skype”, revela. “Foi uma experiência diferente, principalmente porque Greg Samata tinha muita consciência do som, o via como algo tão importante quanto a imagem.”

A diferença entre fazer trilhas para longas e curtas, para Márcio Brant não é muito grande. “No longa, você desenvolve o som para um personagem que vai ficar em cena uma hora e 40 minutos. É preciso ter maior variação. Mas em termos de conceito é a mesma coisa. Você estabelece determinado clima, instrumentação e vai caminhando. No curta, o espaço é menor, por isso, às vezes, mais difícil. É preciso cuidado para não virar um videoclipe, se você enche o filme de música, é o que vai ocorrer.”


Desenho do som

Professor da “única faculdade do país que tem design de som como disciplina na grade curricular (é oferecida durante os quatro anos do curso de design gráfico)”, Márcio Brant diz que, no exterior, ao contrário daqui, a oferta da matéria é grande. “E BH tem muito mercado. A cadeira é mutável. Você pode trabalhar o som de uma marca. O designer de som é o profissional apto a isso.” Ele cita a vertente, do light designer, “profissional que trabalha o conceito de iluminação e está ligado a todo o processo. É o cara que trabalha do início ao fim, cria espécie de roteiro da luz e vem sendo cada vez mais valorizado.’’

“A profissão de desenhista de som está ganhando importância no cinema brasileiro, da mesma forma que a criação de efeitos sonoros, a mixagem. “O primeiro professor da matéria na Fumec foi Luiz Naveda, que está na Bélgica. Depois, foi a vez de Ricardo Aleixo, que continua e divide a disciplina comigo. Ele é um poeta sonoro e, por isso, reforça mais essa área, enquanto fico mais voltado para o mercado”, explica, antecipando que a faculdade vai promover, em junho (em data a ser definida), mostra de trabalhos realizados pelos alunos, que será aberta ao público. “O evento terá três dias. Vamos abordar o cinema de Tim Burton, de Jean-Luc Godard, além de mostrar trabalhos criados durante o curso.”



De banda

O primeiro CD de Márcio Brant, Fábrica de sonhos (2005), foi “algo bem enraizado no Clube da Esquina. O próximo, Silêncio, será um disco mais de banda. Vamos entrar no estúdio e elaborar tudo, sempre acreditei na criatividade em conjunto. Quando você se cala, ouve várias coisas ao redor”, diz. Ele se orgulha de “trabalhar com a música em todas as vertentes, como pesquisador, cantor, professor e trilheiro” e incentiva os alunos a seguirem esta última profissão, “que tem extenso mercado de trabalho.”

2 comentários:

paranax disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
paranax disse...

SONDAS
Paranax
Para Ricardo Aleixo & Márcio Brant

silênciosons

silênciosonsilênciosons

silensons
-onsilensons

(silêncio)

som
som
um
dois
testando
som
som

somdasondasonoras

(silêncio)

silensom

silensomudo

só o
som do
silêncio

silensom

sondo o
som do
silêncio

silensondo
silensomudomundo


o silêncio
do som

som
sem
som

sósilensom

só o som do
(silêncio)
o sondo só
o só do som
o som do só
o som em si

o silêncio
é o segredo
do som
invisível