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24.5.09

Iris, minha mãe


Na véspera do meu embarque para São Paulo, na quinta-feira passada, fui me despedir de Iris, minha mãe. Deitada no sofá da sala, ela conversou comigo e com Sandra como se fizéssemos parte do mundo de sonhos conturbados em que mergulhara nos últimos três anos: respondeu fracamente nossas perguntas, fez um que outro comentário, quis saber das meninas, mas não se deu ao trabalho de abrir os olhos.

Saí da visita, apesar disso, sem sequer intuir que jamais voltaria a vê-la com vida. No sábado, descansando da viagem, lembrei dela e chorei de saudade – toda a saudade que se pode sentir de alguém que está sem estar totalmente, e que a cada dia estará mais e mais ausente. Um infarto fulminante a levou hoje, às 5 da tarde, aos 91 anos, completados no dia 27 de abril.
Amanhã, às 16h, no cemitério Bosque da Esperança, celebraremos sua chegada ao lugar onde, nesta hora, já estará de novo ralhando com Américo por qualquer “dê-cá-aquela-palha”, como ele dizia. ´