11.4.11

Nossa produtora executiva


Quando ela chega a gente sente que já não falta mais ninguém. Embora, verdade seja dita, ela seja sempre a primeira a chegar. E a última a sair. Um belo dia a produtora Sabrina Bueno, que já foi anjo da guarda de ninguém menos que a enormíssima Elza Soares me encontrou no Facebook e disse que queria nos ajudar com a ZIP.

Interessado em entender o significado da palavra "ajudar" no idioma dela, convidei-a para vir ao LIRA prosear e já nos tornamos amigos de infância – apesar das duas décadas de vida que nos separam. Sabrina é competente, calma, informada, atenta a tudo, gentil, discreta, simpática (além de bonita, mas isso não é atributo profissional que se deva destacar assim sem mais, ou é?) etc etc. etc.

Com toda sinceridade, não sei o que seria da ZIP se ela não fosse como é. Ainda por cima, a moça fotografa muito bem. Na antevéspera do meu embarque para o Rio, onde eu participaria da abertura da mostra Poética expositiva, convidei-a para uma experiência que a deixaria com os nervos à flor da pele: filmar minha performance Emaranhado samba, para projeção numa das paredes externas das cavalariças do Parque Lage.

Ela só teria que acompanhar, com a câmera, o percurso que eu faria do chão até o ponto mais alto da escada – bamba –, para retirar da parede o bololô de linhas multicoloridas batizadas por mim como Samba(s) e, em seguida, depois de girar em torno do meu próprio eixo e de cobrir meu rosto – sob o chapéu panamá – com um pedaço de voil, voltar à escada para, inteiramente às cegas, tentar repor a peça na parede.

Para mim foi tranquilo, mas Sabrina estava em pânico, como pude constatar assim que terminei a performance. No Parque Lage, a quem quer que me cumprimentasse pelo vídeo eu falava, orgulhoso, das duas ou três coisas que sei sobre a minha nova amiga e parceira artística. Tal como Álvaro Andrade Garcia, autor da foto acima, Sabrina Bueno firma, no meu coração, a certeza de que ainda podemos reverter – nós, os que cremos na beleza, na vida conversável e na resistência ativa – o resultado da dura batalha que travamos todos os dias contra a mercancia.



7 comentários:

Gláucia Machado disse...

Escrevo para fazer coro com você, Ricardo. Sabrina demonstra, com todas as letras, o sentido do profissionalismo elegante. Percebi, no meu contato com ela, o que você acaba de registrar aqui.
É isso que define a ZIP: encontros preciosos e momentos agradáveis de VIDA.
E VIVA A ZIP!

Leo Gonçalves disse...

Eu também faço coro com vocês, Ricardo e Gláucia! Vida conversável e resistência ativa. Isso é mesmo a cara da Sabrina. E da ZIP. Abraços.

Fabrício Fuertes disse...

Orgulho que sò, vc é assim mesmo, parabéns sempre.

Marcelo Kraiser disse...

Belíssimas postagens e video,Ricardo.
Produzir beleza não é coisa antiga e passadista,é gesto imediatamente político pois desfaz e embaralha os códigos do senso comum.
Filosofices à parte,belo é aquilo que nos faz num primeiro instante mudos.E imediatamente depois a gente aponta e diz:que bonito.

Cândido Rolim disse...

Poeta, tresleio tudo assim: o samba amarrotado em névoa amarga. gesto difícil, circundante. a quinquilharia do corpo. colorido trôpego do pensável. ul/traje fino.
Cândido.

Marcelo Kraiser disse...

Produtoras competentes são raríssimas.Sei por experiência própria e imprópria.A simpatia e eficiência da Sabrina são um bom achado!

Anônimo disse...

A melodia silenciosa do ciclo das tuas linhas-trapos muito me emocionou.


Um Ricardo que ainda não conheço bem.


Bj grande,
Sim.