4.1.10

Meta: manter nosso futuro aberto

Do excelente livro Entrevistas, do curador alemão Hans Ulrich Obrist, publicado em dois volumes pela coleção Cobogó-Inhotim, extraio uma das luminosas respostas da incrível Yoko Ono. 

A pergunta é sobre a internet: se a grande rede “pode ser/ter sido uma espécie de realização parcial da utopia dos anos 1960”. Yoko: “É claro. Acho que é quase como uma conclusão lógica. Era lógico pensar dessa maneira. Muitos artistas, poetas e compositores estavam nos oferecendo profecias. Não sei o que acontece primeiro: se a coisa inevitavelmente acontece e as pessoas sentem e  falam sobre ela ou se acontece porque os poetas, compositores e artistas desejaram que acontecesse ao afirmarem-na sob a forma de previsões. Mas é algo bonito e que nos salva do horrível e destrutivo pesadelo do Juízo Final. John e eu insistimos em prever um futuro muito bonito e aberto. Digo John e eu porque acho que não havia mais ninguém fazendo isso de maneira tão pública. À época, fomos acusados de ingenuidade por outros compositores, artistas e políticos da resistência. Nós nos sentíamos sozinhos nisso. Acho muito importante dar seguimento ao diálogo, manter nosso futuro aberto, e não fechado.” 

Em comemoração à existência, neste mundo, de pessoas raras como a senhora Yoko, mostro a quem se interessar o caminho para uma de suas criações mais radicais, o ainda hoje inspirador Unfinished Music nº 1 – Two Virgens, gravado em 1968, no estúdio que ela dividiu por tantos anos com seu marido John Lennon Ono, com quem assinou a autoria do belo estranho disco em questão.

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