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1.8.10

O resto é só terra e céu


Depois de 15 dias longe, na rota Cambridge/Londres, nossa Iná voltou para casa ontem à tarde: cheia de razão, com o inglês ainda mais afiado e já fazendo planos para novas viagens. Como Lisboa foi o primeiro – e o último – lugar da Europa pisado por ela nessa sua estreia internacional, trago para a festa um legítimo Pessoa:


Viajar! Perder países!

Ser outro constantemente,

Por a alma não ter raízes

De viver de ver somente!


Não pertencer nem a mim!

Ir em frente, ir a seguir

A ausência de ter um fim,

E a ânsia de o conseguir!


Viajar assim é viagem.

Mas faço-o sem ter de meu

Mais que o sonho da passagem.

O resto é só terra e céu.

6.4.10

FESTA

Iná é o nome da garota que embeleza, hoje, esta posse. Cruzamos olhares – de puro e eterno amor – pela primeira vez há exatos 15 anos, mas estou certo de que ela não guardou qualquer lembrança desse encontro. O que, verdade seja dita, pouco se me dá, como diziam os antigos. Espero que a Iná se lembre sempre, mesmo quando eu já não estiver por aqui, é do impacto de sua chegada sobre meu coração de pai de primeira viagem. E que ela não pare nunca de chegar.