Uma das músicas de Caetano Veloso de que mais gosto é a pouca conhecida “Etc.”, do disco O estrangeiro. Tanto que, por causa dessa peça única, tão bela quanto estranha, guardo até hoje a resenha dedicada pelo poeta, ensaísta e tradutor José Lino Grünewald (1931-2000) a um show de Caetano no Palace, em São Paulo (caderno "Ilustrada", Folha de S. Paulo, edição de 12/08/1989).
Leiam o trecho correspondente a “Etc.”: “(...) a música mais metalingüística desse show (e do disco): a sinalização crítica para o desperdício com as volutas do lugar-comum.” Leiam, agora, a letra, e ouçam a música, que encontrei num falso vídeo postado no youtube, enquanto eu fico daqui pensando na graça deste verso: “Quem tanto não vejo ainda?”.
Etc.
Estou sozinho, estou triste etc.
Quem virá com a nova brisa que penetra?
Pelas frestas do meu ninho
Quem insiste em anunciar-se no desejo?
Quem tanto não vejo ainda?
Vem, pessoa secreta. Vem, te chamo.
Vem
Etc.