29.11.10

breves notas

A literatura de José Saramago não é para mim. Não a alcanço. Cheguei a ouvir o escritor português numa conferência aqui em Belo Horizonte, há muitos anos, e não guardei nem mesmo uma pequena lasca da montanha de frases de efeito com que ele se empenhou em justificar sua fama de intelectual público até seus últimos dias. Quis, ainda asssim, ver o filme José e Pilar. Entrei no cinema sem qualquer esperança, ainda que aberto a possíveis surpresas. Que não ocorreram. Os eternos 130 minutos de projeção me fizeram lembrar que, felizmente, havia em casa, à minha espera, 3 livros de Gonçalo M. Tavares, português nascido em Angola, em 1970, guardados numa caixa azul intitulada breves notas. Com um “caderno de apresentação” caprichosamente preparado por Júlia Studart, a edição é resultado de parceria entre a Editora UFSC e a Editora da Casa. Pertence ao livro breves notas sobre as ligações [llansol, molder e zambrano] esta frase: “Um escritor cuja curiosidade sai da folha que está em frente de si no momento em que escreve? O olhar desviado desvia. Porque o escritor não é um leitor que depois de ler a frase pode desviar os olhos para um sitio inexistente e ficar por aí largos minutos ou mesmo horas, num devaneio imaterial. Para o escritor, pelo contrário, os devaneios deverão ser concretos; de tal forma materializáveis que possam se colocados em sacos de plástico.”

5 comentários:

Giovanna Vilela disse...

Ainda não vi o filme mas estava louca para ver. Agora quem sabe vou gostar mais ainda, afinal a falta de expectativas é a melhor companhia para se ir ao cinema. Isso quando o filme é bom mas depende apenas do "paladar"do cliente.

Gostei do seu bol, voltarei.

Até

Gi*

Ricardo Aleixo disse...

Só que agora você já tem expectaivas, não é mesmo? :) E se está "louca para ver", certamente é por achar que a literatura do Saramago é para você. Posso apostar que gostará. PS: Tendo chance, leia o Gonçalo M. Tavares. Até.

Marcelo Kraiser disse...

Até que enfim leio alguém dizendo que não alcança o Saramago.Também tenho esta opinião mas mexer com esses ícones sagrados pode despertar a ira de muitos.Então parei de comentar que ele não me alcança também.O filme Ensaio Sobre a Cegueira deixou-me quase cego de tédio.Principalmente porque é todo superexposto e detesto isso.E a baboseira da verborragia'politizada' dele causou-me horror!Posso ser atingido por tomates podres por escrever isso na web:os tempos atuais são patrulhantes.

Ricardo Aleixo disse...

E veja, meu caro MK, que eu nem mesmo disse que "a literatura de JS não me atinge". Sou eu que não a alcanço... Tome aí um abraço!

.geo disse...

Algumas coisas da criação literária do Saramago me agradam, mas o português em si, o trato da lingua definitivamente não pera um baiano do interior como eu. Estou lendo outro angolano, João Tala, e gostando bastante. valeu a dica do outro irmão de Atlântico Negro.
abraço para o poet'amigo.
geo

p.s.: estou em falta contigo. te ligarei assim que aquele vento soprar...