14.4.08

Direito à deriva

Em dezembro do ano passado, quando estive por uns poucos dias em Maceió, a convite do Sesc e do programa de Pós-graduação em Letras da Ufal, pude conhecer de perto o trabalho infatigável (e álacre) da boa turma que se reúne em torno da poeta e ensaísta Gláucia Machado. Ela, belorizontina que respira e conspira à beira-mar instalada desde os anos 90, tem conseguido promover um trânsito bastante intenso e produtivo entre as coisas e pessoas de lá e as de outras partes do Brasil, numa investida anti-provinciana digna de registro e aplauso. Cedendo, enfim, à doce pressão dos amigos e parceiros, Gláucia acaba de aderir à blogosfera: sua escrita esperta e experta pode ser conferida no endereço diasemprevisão (nome que já é, em si, uma evocação do direito à deriva e, por isso mesmo, um ir/reverente aceno às poéticas experimentais às quais seu pensamento sensível se vincula). Prova de sua tocante disposição para a interlocução crítica (artigo raro numa época, como a atual, dominada pela estridência dos diálogos a uma só voz), seu post mais recente tem como tema minha performance Um ano entre os humanos. Me agradou, tanto quanto o texto em si, o fato de que Gláucia Machado o escreveu em parceria com um de seus alunos, o poeta e músico Marcelo Marques, numa serena ativação de uma das muitas formas daquele gesto poético e político definido por Jacques Rancière como "partilha do sensível". À Gláucia e ao Marcelo, meu abraço de anos-luz!

4 comentários:

marcelo marques disse...

Ricardo, seu abraço de anos-luz volta à Minas depois de ter se embebido do calor do Nordeste!

Cecília Borges disse...

Já vasculhei o blog da Gláucia.
Cada poesia!

Um bj, Ricardo.

Allan Nogueira disse...

Aguardamos mais daquelas por aqui! \o/

Daniel Trindade disse...
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