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13.5.10

13 de maio



Sempre tive muito respeito e gratidão pelos pretos velhos. Carinho. Tento enxergá-los (e ouvi-los) para além de sua aparente submissão. Nas culturas de extração africana o que é aparente tem valor porque fala do segredo. Não de um, mas do segredo. E é nesse jogo de limites tênues entre visível e invisível que o sagrado se enuncia. E se firma. E confirma nosso pertencimento ao mundo e ao cosmo. O videoartista coreano Nam June Paik percebeu isso quando participou, em São Paulo, da 11ª edição do Festival Internacional Videobrasil, em 1996. Guiado por sua poderosa intuição, o senhor Paik remontou a comovente instalação TV Buddha, um dos destaques de seu repertório, substituindo a figura do memorável mestre oriental pela de um Preto Velho. Simples e direto como um mantra. Complexo como o movimento que transforma, durante a tortuosa travessia do mar Atlântico Negro, a bela palavra salvar em outra ainda mais bela: saravá!