10.12.08
Ana C
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Manoel Ricardo de Lima
9.12.08
8.12.08
Valêncio Xavier

Morto na sexta-feira passada em Curitiba, aos 75 anos, o escritor Valêncio Xavier, que entrevistei por telefone em 1998, para o caderno “Magazine”, do jornal O Tempo, me pareceu, ao longo daqueles dois ou três longos telefonemas, um sujeito deveras maçante, valha a verdade. Essa impressão ruim foi confirmada, naquele mesmo ano, aqui em Belo Horizonte, durante a Bienal Internacional de Poesia, da qual fui um dos curadores – e ele, um dos convidados. Gostava e gosto tanto da obra dele, todavia, que, em 2001, aceitei com prazer o convite do caderno “Idéias”, do Jornal do Brasil, para resenhar o (excelente) livro Minha mãe morrendo e O menino mentido. Alguns anos mais tarde, um amigo paranaense, escritor, me contou que Valêncio, além de tudo, era dono de um grande sortimento de piadas racistas. Pensei, sem dizer nada: procede. Mas mantive o propósito de republicar o texto sobre o livro dele na minha coletânea de ensaios, Palavras a olhos vendo - Escritos sobre escritas (leia aqui), a sair Deus sabe quando. Conto isso para redizer o óbvio: que o escritor, diante de sua obra, se esta de fato merece ser chamada de literatura, é um mero detalhe. Valêncio Xavier foi um escritor muito acima de suas idiossincrasias pessoais. E da bobajada que se publica neste país de escribas autocomplacentes.
4.12.08
Ê viva!
Minha irmã, Fátima,
faz anos hoje.
Há exatos três meses,
Américo, nosso pai,
partia desta para outra.
As duas datas convergem
no sentido da festa: sei o valor
atribuído por ele à chegada de minha irmã
a este mundo e à permanência dela,
a vida toda, ao lado dele;
sei, também, que Américo, agora
o ancestral da família,
olha para nós com orgulho
– palavras dele –,
cioso de ter feito o melhor
por Fátima e por mim.
Quando eu nasci, nossa mãe, Íris,
sábia que só vendo,
disse para minha irmã
que eu tinha vindo
como um presente para ela.
Que, por seu turno,
levando a história
a sério, fez e faz
o que estava e está
ao seu alcance para me ajudar
a ser o que sou.
Seguimos: com amor
no coração; um com
o outro; um do outro:
irmã e irmão.
Para sempre.
PS: A foto acima, feita
com um celular,
no ano passado,
não é boa: é essencial.
Trata-se, provavelmente,
do último dos (pouquìssimos)
registros da família
em que aparecemos
só os quatro.
29.11.08
Notícias de Maceió

Aos poucos, os compromissos que me ocuparam ao longo do ano vão se tornando lembranças boas, experiências únicas, riquezas para sempre. É o que de mais consistente consigo dizer, por ora, do que aconteceu aqui em Maceió, anteontem, ondequando apresentei, no Teatro Jofre Soares, a palestra-performance Desvios para a dispersão: Orfeu, John Cage, Exu. Vou precisar de algum tempo para processar tudo o que eu e meus convidados Marcelo Marques, Gláucia Machado, Tazio Zambi e Susana Souto, integrantes do grupo TEXTA, mais o bailarino Jorge Shultze, fizemos, digo, vivemos, como se apenas déssemos prosseguimento a práticas exaustivamente planejadas ou ensaiadas.
Gláucia circulou – cageanamente – pela platéia com um rádio ligado, sem se fixar numa estação específica, para incômodo de alguns que ainda cultivavam a ilusão de ouvir com clareza o texto da palestra, que li em diferentes andamentos, timbres, intensidades e volumes. Minha leitura se fazia entremeada a breves ações que desenvolvi com o poemanto e a improvisações no laptop e no piano preparado – sempre sob as lentes da máquina de Susana Souto, que fotografava do palco e, com sua pre/sença, ajudava a produzir a dispersão enunciada no título. Simultaneamente, Tazio, com um projetor no colo, lançava com (im)precisão suprematista as imagens de meu vídeo-em-progresso “No que pensam os pés quando longe da bola”: nas paredes laterais ou no teto, no cubo que demarcava o “grau zero” da performação de Jorge (este, um experimentado bailarino, capaz de proezas corpográficas que jamais se esgotam nelas mesmas) ou sobre a projeção, no fundo negro do palco, de um outro vídeo criado por mim.
Deixei para dizer por último, propositalmente, alguma palavra sobre Marcelo Marques, músico, poeta e autor de dissertação de mestrado – defendida na semana passada – sobre a tipografia na obra de Augusto de Campos. A energia criativa desse rapaz de 27 anos é algo raro de se ouver. O mesmo se diga da serenidade, do preciosismo e da altivez com que se entrega ao que faz. Tocando pequenos instrumentos de sopro, respondendo à minha gritaria “filodadaísta” ou improvisando no piano preparado – junto comigo ou sozinho –, tudo o que vinha dele era música em estado de poesia.
Na oficina que ministrei aqui, em dezembro do ano passado, eu já havia reparado em sua disponibilidade – corporal, inclusive – para o improviso, essa arte à parte tão complexa, mas agora, convivendo com ele no palco e nas sessões de gravação do CD do grupo TEXTA, constato que a conversa é bem mais séria: ou muito me engano ou, em breve, Maceió será pequena para tanto talento.
Hoje à noite Marcelo se apresentará no mesmo teatro com sua banda, a elogiada Gato Zarolho, e eu vou lá conferir. Tomara seus conterrâneos entendam que aqui, sob o azul-céu e mar desta cidade que viu nascer, há 111 anos, o poeta Edgard Braga, alguém se prepara para assumir, contra todos os obstáculos – dos quais a surdez do mercado é apenas a mais óbvia –, a grandeza de seu destino.

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Ricardo Aleixo,
Texta
23.11.08
Novas

Mais uma semana puxada, a que se inicia. Nem descansei do Encontro das Literaturas (além do estande do LIRA em si, houve os lançamentos do meu livro novo, Céu inteiro, e da 6ª edição da revista Roda – Arte e cultura do Atlântico Negro) e já fui para São Paulo participar do espetáculo intermídia Barrocodelia, que abriu com grande sucesso a Mostra Contemporânea de Arte Mineira, no SESC-Pompéia.
Com o programa de rádio Palavra falante: o som da poesia quase pronto, viajo para Maceió na terça-feira à noite, para dirigir, já a partir do dia seguinte, as gravações do CD de estréia do grupo TEXTA e apresentar, na quinta, a performance-palestra Desvios para a dispersão: Orfeu, Cage, Exu, dentro da programação da I Jornada Literária, promovida pelo SESC.
Em tempo (1): quem quiser saber da Roda, dê uma espiada no comovente texto que o designer gráfico, poeta e meu amigo Bruno Brum escreveu sobre seu retorno à equipe da revista.
Em tempo (2): a turma do “zoião” nem viu, mas durante os 7 dias em que durou o estande, mantive lá, verde, viçoso e venenoso, um exemplar de Dieffenbachia picta Schott, a popular “Comigo-ninguém-pode”. Funcionou. Continuará funcionando.
13.11.08
LIRA no 9º Encontro das Literaturas
Alguns registros do estande do LIRA no 9º Encontro das Literaturas: vista geral da banca de livros de poesia, com as 5 primeiras edições da revista Roda - Arte e Cultura do Atlântico Negro em destaque; o lema do/a LIRA, recém-chegado da gráfica; a folha de rosto do meu livro novo, Céu inteiro, "arranjado" pelo designer gráfico Flávio Vignoli.

Hoje à noite terá início a programação artística do estande, com uma sessão de autógrafos e leituras a cargo dos poetas Bruno Brum, Chico de Paula, Eduardo Jorge e Waldemar Euzébio (que ainda levará, para duetar com ele, sua filha Gabriela Pilati). A partir das 20h.
Hoje à noite terá início a programação artística do estande, com uma sessão de autógrafos e leituras a cargo dos poetas Bruno Brum, Chico de Paula, Eduardo Jorge e Waldemar Euzébio (que ainda levará, para duetar com ele, sua filha Gabriela Pilati). A partir das 20h.
No sábado, às 11h, lanço Céu inteiro, primeiro volume da coleção Elixir, que tem este nome em homenagem aos 20 anos de lançamento da edição mais recente do Elixir do Pajé, do simbolista mineiro Bernardo de Guimarães, e aos 70 de vida do editor da referida preciosidade, meu mestre e amigo Sebastião Nunes. No domingo, às 18h, nova rodada de homenagens a Tião, personagem principal da 6ª edição da revista Roda.
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