12.11.08

CÉU INTEIRO


Mais razão que emoção

foto Beto Magalhães/Em/D.A Press

Janaina Cunha Melo



O poeta Ricardo Aleixo lança hoje [N: no próximo sábado, dia 15, a partir das 11h] o livro de poesia Céu inteiro, no 9º Encontro das Literaturas, no Chevrolet Hall. O novo trabalho reúne cinco lipogramas – forma gráfica em que cada poema perde uma vogal –, que abrem a coleção Elixir, idealizada pelos designers Flávio Vignoli e Laura Bastos. A tônica do projeto, explica Aleixo, está na riqueza da relação entre tipografia e poesia que, ao longo da história, “vem revelando ótimos frutos”, apesar da descoberta tardia da arte gráfica no Brasil. A programação do encontro também oferece oficinas, contação de histórias, seminário, bate-papo com autores e palestra com o professor Ilan Brenman, de São Paulo, entre outras atividades, sempre com entrada franca.

Há quatro anos sem lançar poemas inéditos, Ricardo Aleixo tem se dedicado à performance intermídia. Para ele, esta é uma maneira diferente de lidar com conteúdos poéticos e obter maior alcance de público. “O livro ainda é um objeto estranho no cotidiano, que freqüenta pouco a casa das pessoas”, observa. Para compor Céu inteiro, ele escolheu poemas de escrita rarefeita, que exigiram mais racionalidade que intuição. “Quem procurar a realidade como ela é não vai encontrá-la de imediato. Criar lipogramas exige outro tipo de esforço, para organizar o raciocínio em torno de idéias que não podem ser expressas com todas as palavras, porque é necessário eliminar letras específicas em cada texto”, explica.

Apesar do investimento em outras formas de expressão, a poesia continua sendo o alicerce do trabalho de Ricardo Aleixo. Ele conta que seus versos se alimentam das relações e da observação de que a linguagem é um espaço de afirmação e construção do poder em várias dimensões. Sua literatura, acrescenta, rejeita a idéia de que a criatividade seja atributo de deuses ou pessoas especiais. “Tudo que está no entorno das relações humanas me interessa como matéria da poesia que faço. A palavra vem se tornando cada vez mais uma questão estratégica no mundo, tão importante quanto a terra ou outros bens naturais.” No Encontro das Literaturas, ele também lança, domingo, a revista Roda – Arte e cultura do Atlântico negro, que nesta edição homenageia o poeta Sebastião Nunes. Até o fim do ano, Aleixo ainda estréia a série Palavra falante: O som da poesia, em rádio web do Itaú Cultural, oferece cursos de designer sonoro, no Lira – Laboratório Interartes Ricardo Aleixo, e realiza performance em Alagoas, onde dirige o grupo Texta em gravação de CD de poesia. Em dezembro, também lança Com a palavra, de seu pai, Américo Basílio de Britto, morto em setembro, aos 97 anos, deixando poemas e prosa inéditos. “O livro tem a importância de uma homenagem e reúne os textos de alguém que quis afirmar o direito a este bem comum, que é a palavra.”

Semana que vem, Ricardo Aleixo apresenta a performance Barrocodelia, na Mostra Contemporânea de Arte Mineira, em São Paulo. O espetáculo vai contar com a participação de Chico de Paula, Rui Moreira, DJ Rato, Gil Amâncio, Jorge dos Anjos e Benjamim Abras. 9º ENCONTRO DAS LITERATURAS. Hoje [N: sábado, dia 15, a partir das 11h, no estande 11], a partir das 9h, no Chevrolet Hall (Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Entrada franca. Informações: (31) 3209-8989.

31.10.08

Algumas poucas e boas




A 6ª edição da revista Roda – Arte e Cultura do Atlântico Negro está quase pronta, com capa, entrevista, dossiê e pôster dedicados à vida-obra de Sebastião Nunes, que completa 70 dezembros este ano + matéria especial sobre a CUFA (Central Única das Favelas), feita, na Cidade de Deus, RJ, pela editora adjunta da revista, Janaina Cunha Melo, e pelo rapper Ice Band (tem até depoimento de MV Bill) + poemas do angolano Abreu Paxe + ensaio de Leo Gonçalves sobre os 60 anos da Antologia Antilhana etc. etc.etc.

Também está nos finalmentes a primeira das duas séries radiofônicas – cada uma com seis programas de 15 minutos – que o LIRA produz para o Itaú Cultural: Palavra Falante: o som da poesia, que irá ao ar agora em novembro, com gravações de poemas e depoimentos de poetas e estudiosos como Augusto de Campos, Jomard Muniz de Britto, Paulo Bruscky, Omar Khouri, Ricardo Corona, Celso Borges e Gláucia Machado. O tema da segunda série de programas é o Design Sonoro.

O LIRA prepara, ainda, sua participação, por meio de um estande, no Encontro das Literaturas, promoção conjunta da Fundação Municipal de Cultura e do Clube das Editoras Mineiras, que acontecerá entre os dias 11 e 16 de novembro, no Chevrolet Hall. Além de livros meus e de outros poetas/escritores independentes, o público poderá adquirir revistas especializadas, buttons, camisetas e outros produtos. Todos os dias, de 9h às 22h, um aparelho de TV exibirá, em loop, uma série de videopoemas de realizadores brasileiros contemporâneos. Audiopoemas também serão ouvidos no espaço, numa seleção com trabalhos de diversos autores e épocas.

Evidentemente, o estande do LIRA terá muitas outras atrações, como a pequena tipografia da oficina do designer gráfico Flávio Vignoli, cujo funcionamento será explicado ao público por um técnico que estará lá durante todo o tempo. Da oficina de Vignoli sai, de quebra, uma pequena plaquete que lançarei durante o Encontro das Literaturas, com poemas desentranhados do livro Modelos Vivos, a ser lançado em março de 2009. A plaquete, intitulada Céu inteiro, abre, por sugestão de Flávio, a Coleção Elixir, organizada por mim, que terá a participação de importantes poetas contemporâneos.

Barrocodelia é o nome do espetáculo de abertura da Mostra Contemporânea de Arte Mineira, que se realizará no SESC-Pompéia, em São Paulo, no período de 18 a 23 de novembro. No novo trabalho, concebido por mim e por Chico de Paula, ele e eu atuamos junto com os “camaradinhos” Jorge dos Anjos, Rui Moreira, Gil Amâncio, DJ Rato e Benjamin Abras: música eletroacústica + percussão + vídeo + dança + instalação cênica + poesia + canto +). Pelo rumo que o trabalho vem tomando, vai ser muito bom demais da conta.

Ainda no estande do LIRA, teremos, finalmente, o primeiro lançamento do livro póstumo do meu pai, Américo Basílio de Britto, Com a palavra. Para que tudo saísse a contento, sem que a emoção pudesse atrapalhar de algum modo a feitura desse livro tão sonhado por Américo, passei a tarefa para alguém que eu precisava ter certeza se entregaria a um tal trabalho com dedicação e carinho, para além da mera (e ainda assim, rara) competência: o poeta e designer gráfico Bruno Brum – meu parceiro também na revista Roda –Arte e Cultura do Atlântico Negro.

No dia 27 de novembro desembarco em Maceió, a convite do SESC-Alagoas, para apresentar a palestra-performance Desvios para a dispersão: Orfeu, Cage, Exu, e para dar continuidade, in loco, à gravação do CD Livro Falado do grupo TEXTA, formado por Gláucia Machado, Susana Souto, Tazio Zambi e Marcelo Marques, todos ligados à Universidade Federal de Alagoas.

20.10.08

Amigos


Na foto acima, feita por Eliana Borges, meus amigos bons Marcelo Sahea e Ricardo Corona, depois de nossa apresentação na Casa das Rosas, sexta passada, dentro da programação do I SIMPOESIA. Aqui e aqui, dois belos presentes de outros amigos queridos, Ricardo Domeneck (um ensaio multimídia) e Paulo Kauim (um número da minha performance). Um trecho do ensaio de Domeneck: "(...) acredito que o fluir poético de seu trabalho une perspectivas diversas, que acabam muitas vezes separadas no discurso crítico monológico, e ele está entre os poetas que se formaram na década de 80/90 e iniciaram um processo de renovação do conceito de Joyce/Noigandres do verbivocovisual, renovação que se manifesta em uma multiplicidade de ênfases, fazendo de seus poemas (escritos, sonoros, corporais) "quinas", ângulos dos quais se pode observar o território poético das linguagens do poeta contemporâneo, daquele que gosto de chamar de multimedieval. O próprio poeta mineiro chama seu trabalho de 'reverbvocovisual'."

9.10.08

Noise, por exemplo

O DIA CAGE, pela primeira vez realizado no auditório da Escola Guignard, rolou bonito, apesar da chuvarada que caiu sobre Belo Horizonte no dia 26/09. Queria detalhar como foi, mas que é de tempo? Fiquem, por enquanto, com as fotos abaixo, feitas por Eduardo Jorge, que também participou da farra conosco.


Visão geral da cena, com Chico de Paula improvisando ao microfone


Christina Fornatiari, Sérgio Fantini, Frederico Pessoa, Izabel Stewart e Marcelo Kraiser


Poema de Cage e chaleira de Benedikt Wiertz e João Paulo Prazeres


Este ciberposseiro tentando empilhar cadeiras

4.10.08

Mobilestabile

Aqui se ouvê 
uma peça 
que compus 
recentemente.